Cobiça, o pecado original

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A cobiça perturba a mente até do mais orientado viajante. É entrar no labirinto de cores, luzes e sons para nunca mais achar a saída. Os cassinos hipnotizam a ponto de você perder a referência de noite e dia. Se a ideia é essa mesmo, então pratique o verdadeiro pecado original de Las Vegas.

Antes de arriscar tudo, porém, faça um budget pessoal. Indicação de quem entende. “Jogar deve ser diversão, não aborrecimento”, comenta Ciro Batelli, o brasileiro que foi durante 25 anos executivo do grupo Caesars World International, uma das maiores redes de hotéis-cassino do mundo. É preciso estipular o quanto gastar por dia e obedecer fielmente o planejamento. “Não tenha limite para ganhar, mas para perder.”

Segundo Batelli, as máquinas de caça-níquel são a mania dos cassinos da cidade, principalmente os que ficam nos grandes hotéis da Strip. “Cada casa tem de 2.500 a 3.500 máquinas.” Exagero? Não, pode apostar. “É um jogo fácil e divertido para qualquer público.”

Nosso consultor dá dicas para quem quer se dar bem em Vegas. “Jamais jogue nas máquinas do aeroporto, que são mais difíceis de ganhar”; “Tenha sempre o passaporte em mãos.” E, a mais valiosa: “Quer ganhar uma pequena fortuna? Vá com uma grande fortuna.”

Slots
Se a diversão fala mais alto que a cobiça, sente diante de uma das milhares de máquinas coloridas e barulhentas, aperte o botão e boa sorte. Você nem precisa de muito – que tal US$ 0,25? – para passar algumas (poucas) horinhas brincando de caça-níquel ou videopôquer. Esses são, sem dúvida, os jogos mais populares entre turistas amadores. Diga-se, amadores para a tentadora Las Vegas.

Escolha um dos cassinos da Strip: Caesars Palace, Wynn e Bellagio têm máquinas, digamos, mais generosas. Isso significa que elas retêm cerca de 6% do que foi jogado e distribuem o resto. O Wynn, aliás, também conta com máquinas de high-limit, para apostadores graúdos.

É bom saber que, caso ganhe mais que US$ 1.200, terá de pagar 30% do valor para o imposto de renda, retido na hora. Dica: nas máquinas progressivas, seja as de apostas altas ou baixas, jogue sempre o limite máximo para, assim, concorrer ao jackpot, o prêmio máximo. A brincadeira pode render uma bolada.

Roleta
Não tem truque nem estratégia. A roleta é puro palpite. E sorte. Basta escolher um número, um grupo ou uma cor e torcer para a bolinha agir a seu favor. Mas fique atento a uma importante consideração. A roleta americana é diferente da europeia porque tem dois zeros, o que diminui as chances em 2,7%. Procure a french roulette, com só um zero. Melhor cassino? O do Hotel Paris, claro.

Blackjack
Todo mundo arrisca pelo menos uma rodada do popular 21, um dos mais concorridos nas mesas dos cassinos. “Os jogadores gostam porque podem decidir se querem ou não pedir cartas. Eles se sentem donos da situação”, comenta Batelli. Durante a partida, o segredo é prestar atenção nas cartas do dealer. “Se ele tiver uma carta menor que 7, as chances de ele ganhar são menores. Agora, se ele tiver um Ás ou uma figura, o jogador pode pedir cartas, mas nunca dobrar a aposta”, indica.

Saiba que em qualquer cassino, é sério, o dealer torce por você. Ele não ganha comissão, mas pode ganhar uma boa gorjeta de um jogador contente – e com os bolsos cheios. Peça conselhos à vontade.

Bacará
É o jogo mais tradicional e caro. Também o mais carente de bons apostadores. Como garante Batelli, os grandes de antigamente morreram ou quebraram. E não houve renovação. Hoje, é o passatempo preferido dos orientais.

Não é preciso saber jogar bem para arriscar – você só tem duas opções, ponto ou banca, e o dealer dá toda assistência. Mas você necessita de US$ 100 para começar a rodada. O Venetian é o mais famoso pelas mesas de bacará, mas Wynn, Caesars Palace e Bellagio também oferecem boas jogadas.

Pôquer
O pôquer americano cresceu mais do que qualquer outro jogo nos últimos 5 anos. Nem pense em sentar à mesa sem saber pelo menos as regras básicas. Você vai enfrentar outro jogador, sem ajuda ou conselhos do dealer. Na Strip, o destaque fica para as mesas do Bellagio. Fora do circuito turístico, vá ao The Rio e ao Green Valley Ranch.

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Tentações em ‘Sin City’

De deserto, só o calor. Ao pisar no fabricado oásis de néon chamado Las Vegas você chega a perder o tino diante do impressionante exagero de pessoas, sons e imagens em movimento. Aditivos para o desejo de arriscar, comprar, comer e se divertir – sem limites ou remorso.

O pecado original está marcado na linha do tempo: 1931, quando o Estado de Nevada decidiu permitir os jogos de azar. Os cassinos que fizeram a fama da “Sin City” hoje
totalizam cem casas instaladas em hotéis colossais. Destino de boa parte das 40 milhões de pessoas que visitam a cidade por ano.

Se a cobiça e a vontade de multiplicar os dólares impulsionaram o turismo em Vegas, a luxúria ajuda a mantê-lo. Entre cartadas e roletas, os visitantes se exibem nos
nightclubs: loiras com pretinhos nada básicos e rapazes de Armani da cabeça aos pés. A vida noturna de Vegas é ostensivamente perigosa.

Em certo momento você vai sentir inveja. E, com sorte, provocar alguma. Para isso, selecionamos itens que podem ajudar. De Ferrari reluzente a bolsa Salvatore
Ferragamo (edição limitadíssima, com couro de jiboia). Em outro instante, cederá à tentação das garfadas estreladas. Las Vegas tem 14 restaurantes com a chancela do
Guia Michelin. Estive em vários deles, todos na principal avenida, a Strip. Inclusive na casa de Joël Robuchon, no MGM Grand, o único três-estrelas.

Para os coléricos, a cidade oferece o remédio da adrenalina: queda livre do alto da torre do Hotel Stratosphere. Para os preguiçosos ou cansados das roletas, o bálsamo
dos spas.

Las Vegas tem orgulho de ser única no mundo. Exagerada, cafona, divertida, irresistível. “Sin City”, enfim. Para cometer todos os pecados, basta ter dinheiro. Muito. E
esquecer o juízo. Até porque, como dizem por lá, “What happens in Vegas, stays in Vegas.”

Nos próximos posts, os sete pecados capitais de Las Vegas.

Comece a planejar sua viagem aqui.

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Caminhos por onde as páginas da Bíblia ganham vida

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O mais incrédulo dos mortais sentiria a energia daquele lugar depois que dois arco-íris riscaram de uma só vez o céu preto. Caía uma chuva fina, algo raro numa região de folhas tão secas. Pela charmosa trilha, turistas boquiabertos seguiam até a margem do Rio Jordão, exatamente no local onde, 2 mil anos antes, Jesus Cristo teria sido batizado.

O Rio Jordão em si não impressiona – parece mais um riacho de águas em tons marrons -, mas todo o contexto místico desse sítio arqueológico, conhecido como Bethany Beyond the Jordan (Betânia), provoca sensações inexplicáveis. Aqui, sem dúvida, as páginas da Bíblia ganham vida.

Por isso mesmo, o arqueólogo Rustom Mkhjian faz questão de citar trechos do livro sagrado enquanto guia os visitantes pela região. Ele explica que aquele lugar, por marcar o início da missão de Jesus Cristo na Terra – e, portanto, do Cristianismo -, é considerado um dos três pontos mais sagrados do mundo pelos cristãos, ao lado de Belém e de Jerusalém.

A trilha rodeada por pequenas árvores leva ao local onde João Batista teria batizado Cristo. Mkhjian compara o mapa da paisagem da época com as ruínas de um monastério e de uma espécie de banheira descobertas durante as escavações. Depois, mostra a igreja do século 3º, uma das mais antigas do mundo, famosa pelo pavimento de mosaico.

A jornada espiritual termina, enfim, à beira do Rio Jordão, bem no trecho da fronteira com Israel – soldados armados freqüentam o local, mas isso pouco importa. Aqui, os fiéis só querem tocar a água. E rezar.

O local de batismo de Jesus Cristo é só uma parte do roteiro religioso pela Jordânia, que pode ser feito em um ou dois dias. Seguindo pela histórica rodovia King”s Highway, da região do Mar Morto em direção sul, outros lugares sagrados inspiram a fé e revelam toda a herança espiritual do país.

MONTE NEBO
No alto dessa montanha, o peregrino fica na mesma plataforma e observa a mesma paisagem que Moisés avistou há dois milênios. Uma imensidão de terra, cortada pelo Mar Morto e pelo Rio Jordão. A Terra Prometida de Canaã.

A partir da grande cruz de metal envolta por uma serpente, símbolo do Monte Nebo, o visitante consegue identificar – com a providencial ajuda do bom tempo – as colinas de Jerusalém e a cidade de Jericó, em Israel. O Mar Morto, à esquerda, completa a paisagem.

As escavações no topo do Monte Nebo revelaram a existência de um santuário erguido no século 4º, provavelmente em homenagem a Moisés, que também estaria enterrado ali. Na Era Bizantina, o santuário virou basílica e hoje é conhecido como Igreja Memorial de Moisés. Ali foram encontrados mosaicos que mostram imagens de animais e caçadores, além de uma inscrição grega de 531.

A rota religiosa segue para o sul. Próxima parada: Madaba.

MADABA
Madaba é um dos pólos católicos da Jordânia. Segundo o Antigo Testamento, a cidade moabita esteve entre os locais conquistados pelas tribos de Israel e se destacou como importante centro do Cristianismo durante o domínio romano, no século 4º. É dessa época que data sua maior relíquia: o mapa de mosaicos da Igreja de São Jorge.

Confeccionado com nada menos do que 2 milhões de peças, o mapa é o único remanescente da Era Bizantina e representa com precisão todos os pontos bíblicos do Líbano ao Egito. Foi desenhado de Leste para Oeste, passando pelo Rio Jordão e, claro, por Jerusalém.

Durante o período bizantino, Madaba enfrentou a invasão de persas e muçulmanos e foi abandonada no século 16. Voltou a ser habitada três séculos mais tarde, por um grupo de cristãos fugidos de Karak. O mapa de mosaicos foi encontrado em 1884, mas apenas dez anos depois estudiosos reconheceram que se tratava de uma obra de valor histórico inestimável.

A Igreja de São Jorge fica bem no centro de Madaba. Aproveite para passear pelas estreitas e coloridas ruas da cidade depois da visita.

KARAK
Quando a King”s Highway se aproxima de Karak, é a silhueta da antiga cidadela dos cruzados que aparece imponente, no alto de uma colina. Karak era a capital do reino bíblico de Moab, e a fortificação de pedra, o símbolo máximo da arquitetura de defesa dos cruzados.

O castelo, construído em 1142 com calcário vulcânico, é a principal atração da cidade. Vale a pena invadir a muralha e descobrir passagens secretas pelos corredores subterrâneos.

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Boiar no Mar Morto: luxo sem igual

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É no ponto mais baixo da Terra que a Jordânia guarda seu maior segredo: o Mar Morto. Boiar nas águas salgadas do lago formado numa depressão, a 400 metros abaixo do nível do mar, é a experiência mais inusitada e necessária dessa jornada, mas pode estar com os anos contados. A superfície do Mar Morto tem encolhido cerca de 1 metro por ano e pode sumir completamente até 2050.

O Mar Morto tem 80 quilômetros de extensão – divide a Jordânia e a Cisjordânia, ocupada por Israel – e é alimentado pelo Rio Jordão. A redução do seu volume está relacionada ao contínuo uso das águas do rio para agricultura, mineração e irrigação. Só nos últimos 50 anos, o lago perdeu um terço de sua superfície.

Toda essa polêmica uniu Jordânia, Israel e Palestina, que concordam pelo menos em um ponto: não podem perder o passado histórico e o diferencial turístico da região. Os governos trabalham para construir um canal de 180 quilômetros para levar água do Mar Vermelho até o Mar Morto.

Com grau de salinidade seis vezes maior que o dos oceanos, o Mar Morto tem águas cinzas e completamente sem vida, capazes de fazer qualquer pessoa boiar sem o mínimo esforço. A região, que teria sido capital de pelo menos seis reinos bíblicos, só começou a ser explorada pelo turismo há dez anos, com a chegada dos primeiros resorts e spas. Hoje, cerca de 1 milhão de pessoas a visitam todos os anos.

O Mar Morto é o primeiro spa natural do mundo. Isso porque os sais minerais de suas águas, como sódio, magnésio e potássio, aliados à atmosfera local (com muito oxigênio), são produtos perfeitos para tratamentos estéticos. “A crescente demanda pelo turismo de saúde, beleza e bem-estar fazem do Mar Morto um destino estratégico”, avaliam os executivos dos hotéis da região.

VIDA BOA
São os resorts que dão vida à região deserta do Mar Morto. Do lado jordaniano, os cinco-estrelas Mõvenpick, Marriott e Kempinski têm acomodações amplas, restaurantes de cozinha internacional e, claro, movimentados spas.

O Mõvenpick é o mais original porque reconstitui uma vila árabe. Mas a rusticidade está apenas na arquitetura e na decoração. Basta entrar no Zara Spa para sentir a atmosfera sofisticada. Ali, todos os tratamentos corporais e faciais utilizam produtos à base dos sais minerais retirados da água. Não deixe de relaxar na hidromassagem da piscina infinity, construída de tal forma que o turista tem a ilusão de estar no mesmo nível do Mar Morto – com um cenário inacreditável ao redor.

Nada, porém, substitui a experiência de boiar no Mar Morto. Depois de curtir todo o conforto dos resorts, vá até a ”praia” particular de cada um deles e observe a paisagem. Rodeadas por montanhas – é possível identificar a Cisjordânia, também chamada de West Bank -, as águas refletem diferentes tons de cinza conforme o sol ganha o céu.

Antes do banho, duas recomendações: evite o contato da água com os olhos e não fique boiando por mais de 15 minutos, sob risco de desidratação. A primeira sensação é estranha: o lugar é misterioso e isso dá um certo frio na barriga. A água está gelada e o sal faz arder até as feridas que você nem sabia que tinha.

Leva tempo para o corpo deixar-se boiar. Mas depois, quando você estiver relaxado, a brincadeira começa. Aproveite cada segundo dessa experiência. Faça poses, tire fotos, aprecie o visual. Se for fim de tarde, uma surpresa: com o (imperdível) pôr do sol surge a revoada de pássaros cantantes.

Ao sair do Mar Morto, entre nos chuveiros de água doce espalhados pela areia e saia de alma lavada.

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Ácaba, a queridinha do Mar Vermelho

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O deserto é interrompido pelo Mar Vermelho – e Ácaba espalha seu litoral por 26 quilômetros. É nessa estreita faixa de terra que “acontece” o verão. O sol brilha praticamente o ano inteiro e convida turistas e jordanianos endinheirados para uma temporada de praia. Isso inclui relaxar em resorts, passear de barco e, claro, explorar o colorido mundo subaquático.

O balneário investe pesado para se consagrar como destino de luxo, seguindo a tendência da israelense Eilat e da egípcia Taba, também no Mar Vermelho. Por toda extensão de areia, hotéis e spas estão sendo construídos. Com projetos de US$ 8 bilhões, Ácaba triplicou o número de opções de hospedagem nos últimos quatro anos. Potencial turístico não falta. A cidade portuária tem um cenário incrível e é considerada um dos melhores destinos do mundo para a prática de mergulho, pesca submarina e snorkel.

AZUL INTENSO
O passeio de barco é a grande atração. A embarcação navega no Mar Vermelho, e o turista percebe que Egito, Israele Arábia Saudita estão logo ali, atrás das belas montanhas que compõem o cenário. A música toca sem parar, enquanto churrasqueiros servem kafta. O Mar Vermelho tem águas de um azul intenso, mas cristalino, com temperatura média de 23 graus. Avida subaquáticaé a mais colorida possível. Quem resiste a um mergulho?

Para a segunda parte dessa aventura, o turista vai precisar de roupas de neoprene e pé de pato. Lá embaixo, 500 espécies de corais e outras centenas de peixes, moluscos e crustáceos saltam aos olhos. Osguias indicamaos visitantes um naufrágio – o navio, contam, foi afundado propositalmente pelo governo jordaniano. A ideia era atrair toda essa diversidade marinha.

HISTÓRIA
Ácaba é a única saída da Jordânia para o mar, além de ponto departida para o deserto e para Petra, duas das atrações mais concorridas do país. O fluxo de turistas na região aumentou consideravelmente depois que Jordâniae Israel assinaram um acordo de paz, em 1994. É por Ácaba que chegam todos os dias visitantes vindos tanto de Israel quanto do Egito. O rico passado deixou sítios arqueológicos como legado.

Ácaba estaria perto da cidade bíblica de Ezion-Geber, erguida pelo rei Salomão e cuja existência nunca foi comprovada. No século 2º a.C., foi dominada pelos nabateus. Em 106 d.C., invadida pelos romanos e em 630, controlada por muçulmanos. Entre as atrações históricas, destaque para as ruínas da cidade fortificada de Ayla, ao norte, onde ainda é possível observar parte das torres e das muralhas originais. Recentes escavações também revelaram que Ácaba teria sido sede de uma das primeiras igrejas do mundo.

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Paisagens vastas, ecoantes e divinas

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A experiência mais emocionante da Jordânia merece ser contada em detalhes, porque cada minuto diante da imensidão do Deserto Wadi Rum compensa a viagem. Não apenas pelo impressionante cenário natural, um mar de areia cortado por gigantescas formações rochosas. Também pela vivência no deserto, o desconhecido que traz algum temor e muito entusiasmo.

Essa aventura inesquecível começa ainda com a luz do sol. Faz calor e não há sinal de nuvens no céu. Primeiro, surgem os Sete Pilares da Sabedoria, belos picos batizados com o nome do livro de T. E. Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia (1888-1935). O britânico que lutou do lado dos árabes contra o domínio turco, na Primeira Guerra Mundial, descreveu com perfeição as paisagens do Wadi Rum: ”vastas, ecoantes e divinas”.

Até então, você está no centro de visitantes, deslumbrado com o visual. Mas ainda não faz a menor ideia do que esperar da visita ao deserto.

Um vídeo sobre a vida selvagem local e um almoço à moda árabe preparam (um pouco) o espírito. Então, o ronco dos motores das picapes 4X4 avisa que é hora de invadir o Wadi Rum. Os turistas sobem na caçamba, o vento corta a pele, começa a esfriar. À medida que o carro desbrava a vastidão do vale, surgem montanhas que alcançam até 1.700 metros de altura. São formações rochosas de cor ocre, que contrastam com o tom claro da areia.

INFINITO
Duas horas rodando no meio do nada e você tem a sensação de que o deserto é infinito. Pelo caminho, ruínas, inscrições. Vestígios de 4 mil anos atrás convivendo com tribos beduínas (e seus muitos camelos), que habitam a região.

A primeira parada é uma oportunidade única de sentir a energia do Wadi Rum. Caminhar sem pressa em qualquer direção e ouvir apenas o vento, a respiração e o profundo silêncio. A segunda revela uma maravilha da natureza: a ponte natural de pedra, que pode ser escalada sem dificuldade. O deserto também é radical.

Já é fim de tarde e as picapes levam os turistas para o local do acampamento. A ficha ainda não caiu: você vai passar a noite tal qual um beduíno e dormir no meio do deserto.

ESTRELAS
Os beduínos esperam os visitantes com o melhor da gastronomia (diga-se, carneiro) e da música árabes. E uma fogueira. Faz frio, um frio insuportável, apesar de você estar vestido com as roupas mais quentes da mala. Casaco por cima de casaco. A recepção, por outro lado, é calorosa – e ajuda a superar a baixa temperatura.

Iluminadas por velas, as tendas são surpreendentemente confortáveis (contam com camas e cobertores) e têm algo de fake. Já o cenário ao redor nem parece real, mas é: um céu prateado de tantas estrelas, com uma lua cheia no alto.

Caminhar sem rumo faz parte da experiência. Deitar na areia e ficar assim horas a fio, também. Nesse momento, você percebe a importância de cada minuto. E que o melhor de dormir no deserto é se esquecer de dormir – e passar a noite em claro, bebendo vinho jordaniano e contando estrelas. Porque quando o sol aparecer, será hora de partir.

Quer saber mais sobre o Deserto Wadi Rum? Acesse o site do Jordan Tourism Board.

Para dormir no deserto: Acampamento Captain’s.

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Caprichosamente Petra

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Passos ansiosos seguem o caminho iluminado por velas. Um desfiladeiro estreito, gelado, intrigante. As montanhas ora escondem, ora revelam um céu prateado. O labirinto parece infinito. Os passos, o vento, a respiração, tudo se torna mais intenso quando os paredões de pedra se abrem para o Al-Khazneh (Tesouro) de Petra. Bem ali, sentados sobre tapetes, os turistas tomam um chá que aquece a alma. Silêncio profundo, só quebrado pela flauta de um beduíno.

A luz das velas mantém o mistério do cenário. Não é possível ver em detalhes a fachada do Tesouro. Nem é preciso. A essa altura, todos os sentidos estão envolvidos pela música árabe. Nesse encontro com o passado, fica fácil entender por que os beduínos guardaram Petra em segredo durante cinco longos séculos.

Se você tiver a chance de visitar essa maravilha do mundo primeiro à noite, tanto melhor. A curiosidade em desvendar Petra só faz aumentar até o dia seguinte, quando, à luz do sol, você poderá explorar todo o sítio arqueológico. E por mais fotos, vídeos e filmes que tenha visto, nada prepara para esse lugar místico. Petra é muito mais do que a fama que ostenta, só vendo para crer.

Muito mistério ainda ronda a história da Cidade Perdida de Petra. Sabe-se que a região é habitada desde a pré-história. Os nabateus, povo árabe nômade, chegaram no século 3º a.C. atraídos pela localização estratégica, na rota comercial de especiarias entre o Oriente e o Mediterrâneo. Hábeis empreendedores, eles transformaram Petra no centro de um poderoso império que se estendia até a Síria – dizem que o local chegou a abrigar mais de 30 mil habitantes.

Foram os nabateus que talharam toda a cidade nas encostas das montanhas. O Tesouro, do século 1º a.C., teria sido um dos templos mais importantes e, hoje, é a imagem mais divulgada da Jordânia, cenário até de filme do Indiana Jones. No ano 106 d.C., os romanos anexaram a região. Os islâmicos chegaram no século 4º e os cruzados, no século 12.

Com as novas rotas marítimas (e alguns terremotos), Petra entrou em decadência. E ficou esquecida na história – guardada a sete chaves por beduínos – até 1812, quando o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt, disfarçado de muçulmano, a redescobriu.

Hoje, para conhecer o sítio arqueológico, os turistas ficam hospedados em Wadi Musa, cidade onde está o centro de visitantes, com ótima infra-estrutura de hotéis e restaurantes.

PASSO A PASSO
A trilha pelo desfiladeiro é outra à luz do dia. O sol faz brilhar os diferentes tons de rosa das montanhas de pedra, que chegam a 150 metros de altura. O céu é de um azul intenso. A cada curva, uma nova paisagem.

O caminho, conhecido como Siq, revela por mais de um quilômetro vestígios do passado, como aquedutos, inscrições e escadarias esculpidos nas rochas. Grupos de turistas disputam o estreito espaço com charretes e cavalos.

O impacto da chegada ao Tesouro é maior. Quando a fenda se abre no desfiladeiro, surge uma coluna aqui, uma janela ali, outro detalhe acolá. Mais alguns passos e o templo aparece por completo, imponente.

Dizem que o Tesouro foi intencionalmente erguido no fim do Siq, exatamente para provocar deslumbramento. O nome tem origem numa lenda beduína, que fala sobre a existência de um tesouro escondido no edifício. Na fachada, perfeitamente talhada na rocha, há símbolos e imagens de divindades. Fique o tempo que quiser admirando a construção, mas não deixe de tirar a clássica foto montado no camelo.

UM POUCO MAIS
Os horizontes se ampliam num grande vale depois do Tesouro. A beleza natural e as dimensões arquitetônicas da antiga cidade impressionam. Há centenas de túmulos e templos bem preservados, assim como cavernas e ruínas romanas.

O teatro romano, talhado aos pés de uma montanha, data do século 1º d.C. e comportava 3 mil pessoas. Outro destaque são os túmulos reais, provavelmente erguidos para as pessoas mais importantes do império dos nabateus. Se ainda tiver fôlego, encare 800 degraus irregulares para encontrar outra jóia escondida de Petra.

Do alto de uma montanha, com vista para todo vale, está o impressionante Monastério, tão belo quanto o Tesouro. A subida é cansativa e reveladora. Por todo caminho, o turista verá moradores da região, mulheres e crianças aquecidas por fogueiras dentro de tendas, muçulmanas fazendo bijuterias e vendendo artesanato.

Já diante daquele templo caprichosamente esculpido, outra experiência autêntica marca o fim da visita a Petra. No rústico bar, o turista tem mais uma chance de sentar em tapetes e provar o chá quente dos beduínos.

Para saber mais, acesse o site de Petra.

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