História viva

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Se você gosta de história, é paciente e muito, mas muito curioso, vai pirar durante as visitas aos sítios arqueológicos no caminho entre Trujillo e Chiclayo, no norte do Peru. É tudo simples, incipiente, tão rústico. Pá, cheiro de terra, terra batida, buraco. Os arqueólogos estão lá, cavando, descobrindo, pesquisando. Brilho nos olhos, paixão, pela história, pelos povos, pela vida. E isso faz absolutamente toda diferença.

Enquanto caminha, o turista acompanha o trabalho, pá a pá, tumba a tumba. E tem a chance de conversar com quem entende, aprender tudo sobre as civilizações que dominavam a costa peruana antes da chegada dos Incas. Se você, como eu, tiver sorte, verá a múmia da Senhora de Cao, que me fez perder o sono. Um dominó de ossos com cabelos longos, trançados, e restos de uma pele tatuada. Só lá.

Sítio Arqueológico de Huaca Rajada
Aqui foi descoberta a plataforma funerária do Senhor de Sipán, o mais famoso chefe da cultura mochica, que viveu no norte do Peru entre 100 e 700 d.C. Esse nome soa familiar? As relíquias encontradas com ele vieram ao Brasil em 2006 para uma exposição na Pinacoteca de São Paulo.

De acordo com os estudos, a tumba é de 300 d.C.. Com a ossada do senhor estavam a de seus “acompanhantes”. Mulheres, crianças, guerreiros, sacerdotes, lhamas e até um cachorro foram sacrificados para seguirem ao seu lado na vida eterna.

Para ver todos os tesouros desenterrados, visite o Museo Nacional Tumbas Reales de Sipán, O prédio tem formato de pirâmide e é moderníssimo. São três andares com objetos, painéis explicativos e a tão esperada réplica do sarcófago do Senhor de Sipán, onde está sua ossada recuperada. Entre as principais jóias (são 400), há coroas de cobre, brincos de ouro e turquesa,adornos de plumas e estandartes de cobre.Informações: www.tumbasreales.org.

Huacas do Sol e da Lua
Se o Senhor de Sipán revelou ao mundo o poderio e a riqueza dos líderes mochicas, as Huacas do Sol e da Lua são o mais impressionante exemplo da arquitetura desse povo. Em um complexo a apenas cinco quilômetros de Trujillo, os mochicas construíram duas imensas pirâmides de adobe e fundaram ao redor delas sua capital.

A Huaca do Sol é uma pirâmide de 43 metros, onde eram realizadas as funções políticas. Reza a lenda que ela foi erguida em três dias por 250 mil homens e com140 milhões de adobes. E o Templo da Lua é uma obra-prima porque revela uma técnica de construção incrível, com cinco níveis arquitetônicos. A explicação é fácil: cada geração de mochica “enterrava” as estruturas dos antepassados, construindo sobre elas, sem destruí-las, um novo andar.

No Templo da Lua os mochicas realizavam cerimônias sagradas, como a do sacrifício, para aproximar-se do mundo divino. Os corpos (e sangue) serviam como oferendas para os deuses. Em troca, eles pediam bom clima. Nas paredes do templo, os mochicas deixaram gravadas figuras que exibem ritos, mitos e deuses,

Nem os arqueólogos esperavam descobrir ali a tumba de uma jovem mulher que, tudo indica, foi líder dessa civilização. Batizada Senhora de Cao, ela foi mumificada – prática nunca antes vista nessa cultura. E conserva unhas, cabelos, dentes, pele e tatuagens por todo o corpo.O embalsamamento,aliado ao tempo seco e aos pigmentos de cinabre (sulfato de mercúrio)  com os quais foi pintada no funeral,impediram a decomposição.Nessa época, 300 d.C., ela teria entre 20 e 25 anos.Os indícios de que era uma nobre mochica foram encontrados no sarcófago: coroa de cobre, cetros,360placasdouradas, 15 colares de turquesa e 44 narigueiras, além de 130 cerâmicas.

Santuário Histórico Bosque de Pómac
Um denso bosque a perder de vista, entrecortado aqui e ali por imensas pirâmides de adobe. Nesse cenário floresceu a civilização lambayeque, também conhecida como sicán, que dominou o povo mochica e avançou pela costa norte peruana entre os anos de 750 e 1300 d.C..

Entre árvores milenares foram descobertas 36 pirâmides, provavelmente utilizadas como templos religiosos e centros administrativos e cerimoniais. Com elas apareceram muitos objetos de ouro, o que comprova o pleno domínio da metalurgia por parte dessa civilização.

As jóias estão expostas no Museu Nacional Sicán, na pequena cidade de Ferreñafe. São dezenas de máscaras, braceletes e colares de ouro. Mas nada impressiona mais que a réplica das tumbas.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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