Chan Chan, a cidadela de barro

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Um milênio de guerras, intempéries, terremotos, saques e Chan Chan continua em pé. A cidadela de barro é a mais importante relíquia dos chimús, civilização que dominou o norte do Peru entre 900 e 1470 d.C.. Foi a capital religiosa e administrativa desse povo. Hoje, é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

Ao caminhar pelos corredores estreitos – que mais parecem labirintos de terra – fica mais fácil entender como Chan Chan resistiu por tanto tempo. Os chimús, descendentes dos mochicas, eram grandes arquitetos. Fizeram muralhas ao redor da cidade. Traçaram caminhos tortuosos para dificultar o acesso – uma estratégia de defesa. Construíram com adobe paredes espessas e altas, de até 12 metros, capazes de se adaptar à umidade e agüentar abalos sísmicos.

 “Em pleno século 12, Chan Chan tinha planejamento urbano”, explica o guia Napoleón Reyna. Ao longo dos séculos, a cidadela de barro ampliou suas fronteiras, até alcançar 20 quilômetros quadrados de área. No seu auge, abrigou 100 mil pessoas de todas as classes hierárquicas. Para explicar tal grandeza, a teoria diz que cada senhor teria construído seu próprio palácio – e, assim, as estruturas arquitetônicas se espalharam pela cidade.

 Outra corrente garante que os chimús erguiam novos prédios administrativos cada vez que mudava o líder.Em comum, as duas visões mostram uma civilização organizada politicamente e preocupada em ostentar poder.

 NO PALÁCIO – Tudo o que restou de Chan Chan ocupa uma área de 14 quilômetros quadrados, dividida em milhares de recintos. Impossível não ficar boquiaberto com a dimensão e o refinamento arquitetônico do que um dia foram praças, templos, cemitérios e palácios.

Os muros de barro são decorados com desenhos em relevo de figuras geométricas e seres mitológicos. O Palácio Tschudi, residência oficial do rei, está totalmente escavado e é o que melhor exemplifica os costumes da civilização chimú. É fácil perceber a divisão dos três  setores: a praça cerimonial, a praça secundária (com depósitos e quartos) e uma plataforma funerária destinada ao sepultamento do rei e de seus séquitos.

Para mostrar a importância da água, objeto de culto, os chimús gravaram nas paredes do palácio peixes nadando junto com as correntes de Humboldt e El Niño, que sempre influenciaram o clima – e, conseqüentemente, a agricultura – de toda a costa do país.

E foi exatamente a água, ou melhor, a falta dela, que levou ao fim da civilização. A cidade de barro foi o último reduto peruano conquistado pelos incas, em 1470. Os chimús resistiram durante dez anos à invasão, mas sucumbiram quando os inimigos desviaram o curso do rio que banhava a região. Chan Chan ficou para contar a história.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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