No umbigo do mundo

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Até agora era só trabalho. Sim, passei uma semana na costa norte peruana escrevendo e fotografando para o Estadão. Mas tão logo cumpri essa (deliciosa) obrigação, coloquei a mochila nas costas e embarquei para Cusco. Completamente sozinha.

O avião baixava e chacoalhava e desviava dos Andes. Como se a cadeia de montanhas me engolisse. Cusco está em um vale profundo, tem cor de terra e cores vivas. Do povo, das cholas, das lãs que enfeitam as lhamas.

Ao primeiro passo em terra firme, o peso de se estar a quase 4 mil metros de altitude. Não é brincadeira, qualquer lance de escada cansa mais que uma aula de sppining! Respira, sobe, masca uma folha de coca. A folha, o chá, a bala, qualquer coisa de coca, por favor. Alivia!

Ao primeiro olhar mais apurado, o porquê da tradução da palavra Cusco, do quíchua Qosqo: umbigo do mundo. A cidade guarda vestígios inabaláveis da civilização inca, mas tem ar de colônia espanhola. Recebe todos os anos milhares de turistas dos quatro cantos do planeta, e ainda exibe o colorido andino. A antiga capital do império pré-colombiano sempre foi ponto de encontro entre nações. E as expressões dessa miscigenação estão na rua e, principalmente, na arquitetura.

Um dos melhores exemplos é o Convento de Santo Domingo, erguido sobre o Koricancha, templo dedicado ao Sol – dizem que os muros eram recobertos com ouro. As estruturas de pedra polida serviram como base para o convento erguido pelos espanhóis e segura marcos renascentistas e uma torre barroca.

A estreita Rua Hatun Rumiyoc é charmosíssima, mas virou atração turística por causa de uma única pedra. Uma pedra de 12 ângulos, resquício de um antigo palácio e prova do domínio arquitetônico dos incas – grandes pedras cuidadosamente encaixadas são mais resistentes a terremotos.

É essa rua que leva ao pitoresco bairro de San Blas, de onde se tem a melhor vista da cidade, com os Andes de pano defundo. San Blas exibe ruas estreitas, velhos casarões coloniais e (adivinhem!) muros de pedra.É o bairro dos artesãos, dos ateliês e lojas.

Já na Praça de Armas, o cartão-postal de Cusco, impera o estilo colonial. Na Catedral e nas casas coloridas onde funcionam cafés, restaurantes e bares que lotam à noite. Por ali caminham as cholas e suas lhamas, sempre prontas para uma foto.

ARREDORES – Com tempo, vale muito fazer o circuito arqueológico pelas ruínas que ficam nos arredores de Cusco. Puca Pucara era uma construção militar. Kenko, um centro de ritual. E Tampumachay, um local de culto à água, que até hoje mostra o conjunto de aquedutos esculpidos em rocha. Nada, porém, impressiona mais do que a arquitetura militar da fortaleza Sacsayhuamán.

Erguida com blocos de granito, tem três terraços superpostos e pedras de até 5  metros de altura. É ali que moradores e turistas se reúnem todo mês de junho para o Inti Raymi, a festa em homenagem ao Sol.

Só um parêntesis – Come-se muito bem no Peru, precisava dizer. No norte, peixes e frutos do mar com pitadas indígenas, europeias e africanas – que tal um ceviche com batata-doce e milho? Já nos Andes, panelas de barro e fogão a lenha preparam os sabores da terra: carnes, tubérculos, grãos e ervas. Para beber, não resta dúvida: pisco sour.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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