No lombo do elefante!

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O dia mal começou, faz um sol de rachar, mas estão todos lá, enfeitados até as unhas. Vejo-os de longe, da estrada, subindo o monte em fila indiana. Lá no alto, o imponente Forte Amber e suas muralhas ocre. Cenário perfeito para uma experiência original.

De perto, os elefantes são bem mais graciosos, com suas trombas pintadas e jeitão desengonçado. Eles carregam no lombo guias de turbante e turistas extasiados. Dois por vez, acomodados em uma cadeirinha almofadada. 

A fila para o elefante é imensa, mas rápida. Ainda mais se você conseguir tampar os ouvidos contra os insistentes vendedores e abstrair o calor. É de um muro alto que se sobe no lombo do animal. Nem pense em chegar ao forte de outra maneira: o ritual é exatamente esse.

O percurso segue monte acima num vaivém indescritível. Devagar e sempre, para frente e para trás. Segure firme, o elefante pode parar bruscamente se tiver vontade de usar o “banheiro”. Leve lenço, caso ele (ou ela) decida espirrar. E se conforme logo: todas as fotos sairão tremidas.

Mas com isso você não precisa se preocupar, pois há lambe-lambe por todo o caminho. Eles vão te seguir até seu último dia na Índia para tentar vender a foto. O preço? Ah, cada fotógrafo cobra o que quer, dependendo do dia, da hora, do desespero…

Depois de ziguezaguear na colina e passar sob dois portais, o elefante entra no imenso pátio do Forte Amber. O desembarque é em cima de um muro. O guia de turbante para, posa e faz o animal levantar a tromba para a foto derradeira. E não vai embora sem a gorjeta.

O passeio dura no máximo 15 minutos, mas vale pela viagem toda. Pode apostar, você vai pensar isso antes mesmo de olhar para os lados, para cima e para baixo.

Bem adiante estão os palácios do Forte Amber, forrados de mármore e pedras rosadas no melhor estilo rajastani. O local foi erguido pelo marajá Man Singh, em 1592, e serviu de residência real até o século 18, quando todos se mudaram para Jaipur, ainda hoje a capital do Rajastão.

Antes de entrar nesse mundo, repare ao redor. Do alto, o cenário é ainda mais perfeito. A histórica cidade de Amber se esparrama aos pés da montanha e à beira do Lago Maota. As muralhas correm por quilômetros pela montanha. E os elefantes, fofos, continuam no sobe-e-desce.
 
No complexo, há três belos palácios, um para o inverno, outro para o verão e um terceiro para o período das temidas monções. Mais esculturas, galerias, mosaicos e templos inteiros de prata. Tem até uma sala com centenas de milhares de caquinhos de espelhos. Estonteante.

Na volta, não tem jeito, é descer o monte a pé ou de jipe. O calor está ainda mais insuportável, e os animais precisam descansar entre um turista e outro. Só resta, então, grudar os olhos na janela do ônibus. Até que a estrada apague os elefantes, o forte, o monte.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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