Sun Studio: explosão de um hit

Elvis Presley não nasceu Rei. Desde cedo, porém, sabia que era uma pessoa diferente. Queria ser rico e famoso, mas tremia de medo só de pensar em se apresentar em público. Até se tornar o mito do rock’n’roll, experimentou o frio na barriga do primeiro microfone, da primeira entrevista, do primeiro palco, do primeiro amor… Mas nada se compara à explosão do primeiro hit, That’s All Right, gravado no lendário Sun Studio, em 1954. A continuação da história, bem, o mundo inteiro já sabe.

– Que tipo de cantor é você?, perguntou a secretária Marion Keisker, quando Elvis entrou pela primeira vez no Sun Studio, em 1953.

– Eu canto de tudo.

Naquele dia, o jovem sonhador pagou US$ 4 para gravar a balada My Happiness, um presente de aniversário para a mãe. Mero pretexto. Ele queria mesmo ser descoberto. Deu certo, mas não de imediato.

Quem conta a história é Nikki Douglas, a guia que leva o turista à década de 50, abre as portas do pequeníssimo estúdio no subsolo e liga o som das jam sessions. Ali, ela continua: ”o estilo jovem e nada usual do garoto de 18 anos intrigou Marion.”

Elvis acabava de ganhar uma amiga. A mesma que, um ano depois, convenceu o dono do estúdio, Sam Phillips, a chamá-lo para gravar Without You. Sam queria lançar a música. Elvis não cantou como ele esperava.

Mas o produtor deu mais uma chance ao garoto. Em julho de 1954, colocou Elvis para tocar com o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black. Quem sabe a banda não faria algo diferente? As primeiras tentativas fracassaram. Até que Elvis inventou uma versão acelerada do blues That’s All Right. Moore e Black acompanharam. ”O que vocês estão fazendo?”, perguntou Sam. Elvis respondeu: ”nós não sabemos”.

Então, Nikki, a guia, coloca That’s All Right  para tocar. Até parece que Elvis está ali, ensaiando a descoberta. Em seguida, ela conta que Sam Phillips, naquela mesma noite, levou a novidade para o DJ Dewey Philips, da rádio WHBQ. Nas três horas seguintes, a música tocou 14 vezes, a pedido dos ouvintes.

Parada para fotografias. O turista está no local onde Elvis gravou pela primeira vez. Pode tocar o primeiro microfone do Rei. E posar ao lado do famoso quadro em que Elvis, Johnny Cash, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis participam do encontro conhecido como a jam session de um milhão de dólares, ali mesmo, no subsolo do Sun Studio, em 1956.

Nessa época, Elvis já era uma sensação internacional e tinha voltado ao Sun para rever os amigos. Porque em 1955, um ano depois de That’s All Right, ele assinou contrato com a RCA – seu novo empresário, o coronel Tom Parker, pagou US$ 35 mil a Sam Phillips pela venda. Logo depois, gravou Heartbreak Hotel, seu primeiro disco de ouro, e era a estrela do filme Love Me Tender.

A visita ao Sun Studio dura 40 minutos e custa US$ 12.

OUTRAS PRIMEIRAS VEZES
A primeira entrevista de Elvis foi na rádio WHBQ, a mesma que tocou 14 vezes That’s All Right em menos de três horas. O astro participou do programa Red, Hot & Blue com o DJ Dewey Philips. A rádio ficava no Hotel Chisca, um prédio de tijolinhos na Main Street. O local está fechado, mas não custa nada passar por lá.

Na entrevista, o astro contou que acabara de se graduar na Humes High School, uma escola para brancos. Foi quando os fãs descobriram que Elvis não era negro – até então, ele nunca havia aparecido na televisão, em jornais ou em revistas. A escola é outro ponto turístico da rota do Rei. Funciona até hoje e fica na Manassas Street.

Diante do sucesso de That’s All Right, Elvis fez o primeiro show profissional no fim daquele julho de 1954, no palco ao ar livre do Overton Park. Os calafrios de nervoso faziam Elvis balançar as pernas – e, assim, levava as fãs ao delírio…

Até mesmo a primeira experiência sexual de Elvis teria sido em Memphis. Dizem que ele freqüentava o Hotel Pontotoc, espécie de casa da luz vermelha. Construído em 1906, o lugar mantém a mesma fachada do início do século. O imóvel, na Pontotoc Avenue, está abandonado.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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