De bote pelo labirinto de pedra

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O guia liga o motor, o bote azul arranca. Vai saindo da barragem do Glen Canyon até se perder entre os paredões de pedra. Não venta, as águas do Rio Colorado parecem estáticas. Tudo produz eco dentro desse intrigante labirinto.

A velocidade do bote é a mesma durante todo o percurso. Devagar e sempre, para valorizar cada minuto nas entranhas do cânion. Não estamos falando do rafting super-hiper-radical no Colorado, mas de um passeio também concorrido pelo rio, só que mais tranquilo – e com aspectos educativos.

O tour parte da cidade de Page (a 225 quilômetros da entrada sul do parque nacional), onde está a barragem do Glen Canyon. Até lá são cansativas duas horas de ônibus, com direito a café da manhã a bordo. Depois, empolgantes 25 quilômetros rio abaixo.

O ângulo é completamente diferente quando se vê o cânion a partir de sua base. As referências se perdem diante de paredões que chegam a 730 metros de altura, daqueles que você não consegue enxergar o fim.

O bote avança. A paisagem é ora estreita, ora ampla. Parece que não há saída. Ou melhor, a saída é seguir por dentro das fendas, contornando o pé das montanhas no ritmo do rio.

As águas cristalinas refletem com perfeição os contornos das formações rochosas, mais as nuvens e o céu e as plantas. O espelho ressalta até a cor salmão das rochas. Vez ou outra, pássaros completam o cenário.

Quando o sol invade a cratera faz um calor absurdo. Cinco minutos depois, já na sombra, o frio é insuportável. Uma confusão de sensações. Enquanto isso o guia dá explicações sobre fauna, flora, geologia e arqueologia. Melhor parar para ver de perto alguns exemplos.

O grupo desce do bote e caminha na grama rala, por entre galhos secos. Num desses paredões gigantescos encontramos vestígios pré-históricos, como os hieróglifos cravados nas pedras.

A próxima – e última – parada é numa inesperada praia. Hora do almoço: pães, queijos, presunto, salada, suco. Um piquenique na base do Grand Canyon, dá para acreditar? Quem quiser pode arriscar um mergulho, apesar de a água estar a nada convidativos 14 graus. Ou então admirar a paisagem da areia mesmo. De volta ao bote, mais paredões, novos ângulos. De repente, o guia rompe o silêncio com o toque de uma gaita. Há mais luz no fim do labirinto.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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2 respostas para De bote pelo labirinto de pedra

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