Toda poesia da imensidão árida

Este slideshow necessita de JavaScript.

O imaginário ganha forma, tamanho e cor a caminho de Merzouga. Cada vez mais longe do burburinho de praças e de mercados tipicamente marroquinos, a estrada avança em paisagens semidesérticas. Silenciosa. Atravessa os Atlas, contorna montanhas verdes, ora marrons, deixa para trás a planície árida, come terra, poeira, até invadir o Deserto do Saara, exatamente como no sonho: um mar de dunas sem fim nem começo. Vasto. Laranja.

A viagem é mais – e pura – emoção a partir de Erfoud. Dali saem os jipões 4×4 rumo a uma aventura inesquecível. Em direção ao Oásis de Tiserdmine, são 60 quilômetros para chegar às grandes dunas de Merzouga, porta de entrada do Saara.

O carro acelera, levanta areia, chacoalha. Cruza em velocidade a imensidão árida, desvia aqui e ali de chumaços de vegetação, tropeça nos buracos. Corre, balança. Até parar de vez quando a primeira duna salta no horizonte. Agora, os camelos guiam.

Eles saem em fila, sobem, sobem, descem. Devagar. O sol ainda está alto e brinca com as dunas. Elas ganham contorno, movimento, na luz, na sombra.

A certa altura os beduínos fazem parar os animais e estendem tapetes na areia à espera do pôr do sol. O astro já está baixando, os turistas vão se acomodando, mas, se você quiser, dá tempo de sair correndo. Assim, sem rumo, fascinado. O beduíno vai atrás, para ensinar os caminhos – e as curiosidades do deserto.

Faz calor, sobe, sobe, respira. Tanto faz onde você vai parar: tudo é lindo. E vasto. Os últimos raios tingem em tons de vermelho as dunas. Basta escolher um lugar para, agora sim, sentar. Sentir a areia fina, macia. O silêncio que embala o ocaso.

O cenário da volta é prateado. Os camelos descem mais rápido até o acampamento onde os jipes esperam. Antes, um show típico de música árabe, com direito a chá quente. Há quem escolha dormir em tendas beduínas, outros embarcam nos 4×4, pouco importa. O céu estrelado é o mesmo, e a noite promete. O carro para na estrada, desliga o farol e se deixa levar pela lua.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
Esse post foi publicado em Marrocos e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para Toda poesia da imensidão árida

  1. Mirtes disse:

    Lindaaaa!

  2. Sensacional! Parabéns Camis.

  3. Lindos!! Obrigada :-)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s