Abadia secular entre o garfo e a taça

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Seria injusto reduzir a Borgonha a taças cheias e mesas fartas, embora a alta gastronomia acompanhe (ainda bem!) cada passo do viajante. As estradas que cortam os vinhedos também carregam história. Pelo caminho, inesperadas vilas medievais, abadias seculares e até o tal château onde o próprio conde é o guia.

O trajeto entre Dijon e Beaune revela duas relíquias. A Abbaye de la Boussière, fundada em 1131, sempre foi um lugar espiritual visitado por peregrinos. Até que, em 2005, ganhou status de meca da hotelaria e da gastronomia mundiais.

A origem da abadia está ligada à ordem religiosa cisterciense. É nessa atmosfera tranquila, onde os monges viviam reclusos, que a família inglesa Cumming transformou antigos edifícios em um luxuoso hotel Relais & Châteaux, o que diz muito sobre cortesia, charme, caráter, calma e cozinha locais.

O hotel tem decoração no melhor estilo francês e serviço impecável, mas é o “c” de cuisine o capítulo à parte. São dois restaurantes comandados pelo chef Emmanuel Hébrard, que ganhou sua estrela no Guia Michelin em 2007. O segredo? “O terroir da Borgonha, os produtos da estação e um pouco de inovação.”

O foie gras, a carne de javali e o abacaxi com caramelo são capazes de satisfazer a gula. Tudo, claro, regado a vinhos dos melhores produtores da região.

DE VOLTA NO TEMPO
O almoço gastronômico na Abbaye de la Bussière combina com a visita à Abbaye de Fontenay, um dos mais antigos monastérios cistercienses da Europa, fundado em 1118 por São Bernardo. François Aynard, o proprietário, recebe os turistas.

Rodeado por florestas, o monastério era o lugar ideal para a paz e reclusão buscadas pelos monges. Eles levavam uma vida pobre e simples, que pode ser compreendida com uma rápida volta pelos cômodos da abadia.

Mais de oito séculos se passaram sem que as edificações fossem alteradas. O estilo romano é o mesmo. Arquitetura e decoração não permitem luxos. O melhor exemplo é o dormitório, onde os monges se deitavam sobre palhas, amontoados em fileiras. Na sala de reuniões e dos manuscritos, pilares do século 12 e tetos em abóbadas impressionam. A igreja e o claustro são outros pontos.

O passeio termina com uma caminhada pelas alamedas do imenso jardim inglês, repleto de flores e frutas coloridas. Um lindo contraste com o ocre das paredes de pedra.

Quando os monges fugiram, após a Revolução Francesa, a abadia virou fábrica de papel. Graças à produção, nunca foi desativada. Em 1906, a família de François Aynard a comprou e restaurou. O turismo, conta ele, se desenvolveu depois dos anos 1960. A Unesco declarou o local Patrimônio da Humanidade em 1981. Paradoxalmente, hoje são os 120 mil visitantes anuais que mantêm a paz e a tranquilidade que os monges tanto buscavam.

Abbaye de la Bussière: www.abbaye-dela-bussiere.com
Abbaye de Fontenay: www.abbayedefontenay.com

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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2 respostas para Abadia secular entre o garfo e a taça

  1. Adoro suas matérias!As vezes não tenho tempo para ler todas.Os lugares maravilhosos.Com tanta coisa ruim acontecendo você sempre traz um lugar de muita paz,com um visual que faz bem aos olhos e a alma.
    Beijos
    Marisa

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