Cenário bucólico e um doce sabor de anis

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Flavigny-sur-Ozerain surge em meio a bosques verdes onde pasta o gado charolês. As torres da igreja, os telhados radiantes de sol e parte das muralhas cobrem o alto da colina. Assim, de longe, parece uma tela. O carro então para em uma das curvas da estrada: inevitável registrar essa primeira imagem, ainda que a quilômetros de distância.

As curvas seguem revelando outros ângulos até a entrada da cidadezinha francesa, na região da Borgonha. A partir daí, o turista descobre Flavigny caminhando. Sobe e desce ladeiras de paralelepípedo espremidas entre casebres de pedra. Flores coloridas nas fachadas. Portas baixinhas, todas trancadas. Faz frio. Ninguém nas ruas – Flavigny não tem mais que 300 habitantes -, a não ser as duas senhoras que arriscam um passeio com o vira-lata.

A segunda imagem dá a impressão de que a vila ficou perdida nos tempos medievais. Uma ruela leva à igreja, na praça principal. De repente, um déjà vu. A praça é o cenário do filme Chocolate (2000), estrelado por Juliette Binoche, a forasteira que abriu uma loja de chocolates na conservadora cidade.

Flavigny é assim cenográfica, mas foi por outro doce que se tornou mundialmente famosa: as balas de anis, vendidas também no Brasil. A tradição vem de 1591, quando monges começaram a fabricar a guloseima na Abadia de Flavigny. Depois da Revolução Francesa, diversas famílias locais decidiram continuar a produção. A de Catherine Troubat, Les Anis de Flavigny, é hoje a única que mantém a fábrica na abadia, seguindo à risca a receita original.

Catherine é a quarta geração dos Troubat à frente da produção – são 250 toneladas de balinhas por ano. É ela quem guia os visitantes pela fábrica. Mostra os centrifugadores onde o grão de erva doce recebe sucessivas camadas de açúcar e, depois, os aromas de rosa, alcaçuz, menta, violeta e limão. Os doces são embalados em latinhas com desenhos inspirados numa história de amor.

CHOCOLATE
Nem os franceses sabiam da existência de Flavigny-sur-Ozerain antes de Chocolate chegar às telonas, em 2000. “Muita gente imaginava que era cenário cenográfico”, contam, inconformados, os moradores. A beleza perfeita de Flavigny surge logo na primeira cena, quando Vianne Rocher (interpretada por Juliette Binoche) caminha com a filha pelas ladeiras do pacato – e recatado – vilarejo medieval. É na praça principal, bem na frente da igreja, que ela abre uma loja de chocolates, atitude considerada herética pelos moradores. Hoje, a praça está lá, exatamente como no longa, mas a casa onde funcionava a loja foi abandonada. Ali, Vianne produzia delícias que mudavam a vida, os corações e as mentes dos habitantes da vila.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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