Herança muçulmana na catedral de Córdoba. Ou será mesquita?

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Os olhos crescem e a boca enche d’água quando se perde de vista as oliveiras. A imagem é a mesma por todo o caminho: árvores baixinhas e retorcidas num ziguezague infinito entre colinas. Um tanto douradas com os últimos raios de sol, vale registrar. Dá para imaginar uma Córdoba gulosa. E não há pecado nisso.

O azeite tempera o salmorejo (sopa de tomate gelada, com jamón serrano e ovo), o flamenquín (carne de porco enrolada com recheio de jamón) e as 1001 tapas de todo e qualquer cardápio. Comer, portanto, é o grande prazer da viagem.

Mas pode ter certeza de que durante as longas e saborosas refeições o assunto será um só: a catedral (ou seria mesquita?) de Córdoba. O monumento é o postal da cidade, herança árabe, um colosso.

Erguida no século 8, a mesquita representa ainda hoje o poder do império muçulmano no sul da Espanha. Mas com a retomada da região pelos reis católicos, 700 anos mais tarde, uma igreja foi construída no coração do edifício e se sobrepôs ao templo original. Felizmente, muito deste ainda está preservado.

Você só vai entender essa história ao entrar no salão quadrado, com 850 pilares e arcos de jaspe e mármore. O tamanho, os tons de rosa e branco, cada detalhe da arquitetura árabe: tudo impressiona. Brilha. Pedras, mosaicos, espelhos. Esculturas de mármore, inscrições nas paredes. E, bem no centro, um altar, a missa, e o coro dos padres. Tudo junto.

É preciso tempo para ver, admirar, absorver tudo.

Tome o seu. Depois, lá fora, visite o Patio de los Naranjos, quintal repleto de laranjeiras onde os fiéis se lavavam antes das orações. Caminhe, respire, tire fotos. Só não perca tempo provando a fruta, azeda de fazer careta. Nem caia no conto do ramo da sorte – as ciganas aparecem, oferecem uma flor, pegam na sua mão e logo vão pedindo um troco.

VOLTINHA
A mesquita é a melhor tradução para Córdoba, mas, com tempo, também vale ver outros pontos da cidade. Como a Ponte Romana. E o Alcázar de los Reyes Cristianos, a fortaleza dos reis católicos. A enorme construção começou a ser erguida como palácio e forte pelo rei Alfonso X, no século 13. De 1490 a 1821, o local serviu como base para os inquisidores. E hoje apresenta jardins, lagos, terraços, fontes e, claro, laranjeiras.

Todo passeio pode (e deve) começar (e terminar) na Judería, o antigo reduto dos judeus. O bairro é um labirinto de pedras, praças e fachadas brancas com janelas amarelas. Placas de azulejo indicam o nome de suas vielas.

Andando pelas ruas, é inevitável lançar um olhar curioso por portas entreabertas, que revelam pátios, arcos e mosaicos. Com a câmera em mãos, dá para passar horas fotografando.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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2 respostas para Herança muçulmana na catedral de Córdoba. Ou será mesquita?

  1. Oi menina Cami, tem me inspirado na vida….e a fazer meu blog. Adooooru, bjão

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