Caprichosamente Petra

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Passos ansiosos seguem o caminho iluminado por velas. Um desfiladeiro estreito, gelado, intrigante. As montanhas ora escondem, ora revelam um céu prateado. O labirinto parece infinito. Os passos, o vento, a respiração, tudo se torna mais intenso quando os paredões de pedra se abrem para o Al-Khazneh (Tesouro) de Petra. Bem ali, sentados sobre tapetes, os turistas tomam um chá que aquece a alma. Silêncio profundo, só quebrado pela flauta de um beduíno.

A luz das velas mantém o mistério do cenário. Não é possível ver em detalhes a fachada do Tesouro. Nem é preciso. A essa altura, todos os sentidos estão envolvidos pela música árabe. Nesse encontro com o passado, fica fácil entender por que os beduínos guardaram Petra em segredo durante cinco longos séculos.

Se você tiver a chance de visitar essa maravilha do mundo primeiro à noite, tanto melhor. A curiosidade em desvendar Petra só faz aumentar até o dia seguinte, quando, à luz do sol, você poderá explorar todo o sítio arqueológico. E por mais fotos, vídeos e filmes que tenha visto, nada prepara para esse lugar místico. Petra é muito mais do que a fama que ostenta, só vendo para crer.

Muito mistério ainda ronda a história da Cidade Perdida de Petra. Sabe-se que a região é habitada desde a pré-história. Os nabateus, povo árabe nômade, chegaram no século 3º a.C. atraídos pela localização estratégica, na rota comercial de especiarias entre o Oriente e o Mediterrâneo. Hábeis empreendedores, eles transformaram Petra no centro de um poderoso império que se estendia até a Síria – dizem que o local chegou a abrigar mais de 30 mil habitantes.

Foram os nabateus que talharam toda a cidade nas encostas das montanhas. O Tesouro, do século 1º a.C., teria sido um dos templos mais importantes e, hoje, é a imagem mais divulgada da Jordânia, cenário até de filme do Indiana Jones. No ano 106 d.C., os romanos anexaram a região. Os islâmicos chegaram no século 4º e os cruzados, no século 12.

Com as novas rotas marítimas (e alguns terremotos), Petra entrou em decadência. E ficou esquecida na história – guardada a sete chaves por beduínos – até 1812, quando o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt, disfarçado de muçulmano, a redescobriu.

Hoje, para conhecer o sítio arqueológico, os turistas ficam hospedados em Wadi Musa, cidade onde está o centro de visitantes, com ótima infra-estrutura de hotéis e restaurantes.

PASSO A PASSO
A trilha pelo desfiladeiro é outra à luz do dia. O sol faz brilhar os diferentes tons de rosa das montanhas de pedra, que chegam a 150 metros de altura. O céu é de um azul intenso. A cada curva, uma nova paisagem.

O caminho, conhecido como Siq, revela por mais de um quilômetro vestígios do passado, como aquedutos, inscrições e escadarias esculpidos nas rochas. Grupos de turistas disputam o estreito espaço com charretes e cavalos.

O impacto da chegada ao Tesouro é maior. Quando a fenda se abre no desfiladeiro, surge uma coluna aqui, uma janela ali, outro detalhe acolá. Mais alguns passos e o templo aparece por completo, imponente.

Dizem que o Tesouro foi intencionalmente erguido no fim do Siq, exatamente para provocar deslumbramento. O nome tem origem numa lenda beduína, que fala sobre a existência de um tesouro escondido no edifício. Na fachada, perfeitamente talhada na rocha, há símbolos e imagens de divindades. Fique o tempo que quiser admirando a construção, mas não deixe de tirar a clássica foto montado no camelo.

UM POUCO MAIS
Os horizontes se ampliam num grande vale depois do Tesouro. A beleza natural e as dimensões arquitetônicas da antiga cidade impressionam. Há centenas de túmulos e templos bem preservados, assim como cavernas e ruínas romanas.

O teatro romano, talhado aos pés de uma montanha, data do século 1º d.C. e comportava 3 mil pessoas. Outro destaque são os túmulos reais, provavelmente erguidos para as pessoas mais importantes do império dos nabateus. Se ainda tiver fôlego, encare 800 degraus irregulares para encontrar outra jóia escondida de Petra.

Do alto de uma montanha, com vista para todo vale, está o impressionante Monastério, tão belo quanto o Tesouro. A subida é cansativa e reveladora. Por todo caminho, o turista verá moradores da região, mulheres e crianças aquecidas por fogueiras dentro de tendas, muçulmanas fazendo bijuterias e vendendo artesanato.

Já diante daquele templo caprichosamente esculpido, outra experiência autêntica marca o fim da visita a Petra. No rústico bar, o turista tem mais uma chance de sentar em tapetes e provar o chá quente dos beduínos.

Para saber mais, acesse o site de Petra.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
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