Caminhos por onde as páginas da Bíblia ganham vida

Este slideshow necessita de JavaScript.

O mais incrédulo dos mortais sentiria a energia daquele lugar depois que dois arco-íris riscaram de uma só vez o céu preto. Caía uma chuva fina, algo raro numa região de folhas tão secas. Pela charmosa trilha, turistas boquiabertos seguiam até a margem do Rio Jordão, exatamente no local onde, 2 mil anos antes, Jesus Cristo teria sido batizado.

O Rio Jordão em si não impressiona – parece mais um riacho de águas em tons marrons -, mas todo o contexto místico desse sítio arqueológico, conhecido como Bethany Beyond the Jordan (Betânia), provoca sensações inexplicáveis. Aqui, sem dúvida, as páginas da Bíblia ganham vida.

Por isso mesmo, o arqueólogo Rustom Mkhjian faz questão de citar trechos do livro sagrado enquanto guia os visitantes pela região. Ele explica que aquele lugar, por marcar o início da missão de Jesus Cristo na Terra – e, portanto, do Cristianismo -, é considerado um dos três pontos mais sagrados do mundo pelos cristãos, ao lado de Belém e de Jerusalém.

A trilha rodeada por pequenas árvores leva ao local onde João Batista teria batizado Cristo. Mkhjian compara o mapa da paisagem da época com as ruínas de um monastério e de uma espécie de banheira descobertas durante as escavações. Depois, mostra a igreja do século 3º, uma das mais antigas do mundo, famosa pelo pavimento de mosaico.

A jornada espiritual termina, enfim, à beira do Rio Jordão, bem no trecho da fronteira com Israel – soldados armados freqüentam o local, mas isso pouco importa. Aqui, os fiéis só querem tocar a água. E rezar.

O local de batismo de Jesus Cristo é só uma parte do roteiro religioso pela Jordânia, que pode ser feito em um ou dois dias. Seguindo pela histórica rodovia King”s Highway, da região do Mar Morto em direção sul, outros lugares sagrados inspiram a fé e revelam toda a herança espiritual do país.

MONTE NEBO
No alto dessa montanha, o peregrino fica na mesma plataforma e observa a mesma paisagem que Moisés avistou há dois milênios. Uma imensidão de terra, cortada pelo Mar Morto e pelo Rio Jordão. A Terra Prometida de Canaã.

A partir da grande cruz de metal envolta por uma serpente, símbolo do Monte Nebo, o visitante consegue identificar – com a providencial ajuda do bom tempo – as colinas de Jerusalém e a cidade de Jericó, em Israel. O Mar Morto, à esquerda, completa a paisagem.

As escavações no topo do Monte Nebo revelaram a existência de um santuário erguido no século 4º, provavelmente em homenagem a Moisés, que também estaria enterrado ali. Na Era Bizantina, o santuário virou basílica e hoje é conhecido como Igreja Memorial de Moisés. Ali foram encontrados mosaicos que mostram imagens de animais e caçadores, além de uma inscrição grega de 531.

A rota religiosa segue para o sul. Próxima parada: Madaba.

MADABA
Madaba é um dos pólos católicos da Jordânia. Segundo o Antigo Testamento, a cidade moabita esteve entre os locais conquistados pelas tribos de Israel e se destacou como importante centro do Cristianismo durante o domínio romano, no século 4º. É dessa época que data sua maior relíquia: o mapa de mosaicos da Igreja de São Jorge.

Confeccionado com nada menos do que 2 milhões de peças, o mapa é o único remanescente da Era Bizantina e representa com precisão todos os pontos bíblicos do Líbano ao Egito. Foi desenhado de Leste para Oeste, passando pelo Rio Jordão e, claro, por Jerusalém.

Durante o período bizantino, Madaba enfrentou a invasão de persas e muçulmanos e foi abandonada no século 16. Voltou a ser habitada três séculos mais tarde, por um grupo de cristãos fugidos de Karak. O mapa de mosaicos foi encontrado em 1884, mas apenas dez anos depois estudiosos reconheceram que se tratava de uma obra de valor histórico inestimável.

A Igreja de São Jorge fica bem no centro de Madaba. Aproveite para passear pelas estreitas e coloridas ruas da cidade depois da visita.

KARAK
Quando a King”s Highway se aproxima de Karak, é a silhueta da antiga cidadela dos cruzados que aparece imponente, no alto de uma colina. Karak era a capital do reino bíblico de Moab, e a fortificação de pedra, o símbolo máximo da arquitetura de defesa dos cruzados.

O castelo, construído em 1142 com calcário vulcânico, é a principal atração da cidade. Vale a pena invadir a muralha e descobrir passagens secretas pelos corredores subterrâneos.

Sobre Camila Anauate

De alma inquieta e mente aberta, que me fizeram jornalista, viajante, aventureira, sonhadora sem-fim
Esse post foi publicado em Jordânia e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Caminhos por onde as páginas da Bíblia ganham vida

  1. Flavia disse:

    Caramba, Cami, só agora vi a foto do arco-íris duplo… Que coisa mágica, incrível! E os textos, e as outras fotos todas… Sim, a Jordânia é inesquecível. Beijos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s